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Entrevista

 

A música japonesa vem ficando cada vez mais popular ao redor do mundo. O grupo japonês Area51, cujas principais influências vão de Yngwie Malmsteen a Impelliteri, passando por metal melódico, não têm vergonha de mostrar suas origens e cantam em japonês. Com isso, ganham cada vez mais notoriedade entre os headbangers.Saberemos nesta entrevista, conduzida por Julio César, a Yoichiro Ishino, líder e guitarrista da banda, todos os detalhes e as novidades que envolvem a atual fase da banda e como tudo começou.

Por Julio César


Yoichiro e Kate

Julio César: Olá, Yoichiro. É uma honra finalmente conhecê-lo!

Yoichiro Ishino: Olá, Julio, como vai?

Julio: Vou bem, obrigado, e você?

Yoichiro: Muito obrigado, é um prazer lhe conhecer.

Julio: Obrigado! Então, vamos começar. Gostaria de parabenizar o Area51 pelo novo álbum, está detonando. Tive a oportunidade de ouvi-lo e certamente será um sucesso.

Yoichiro: Muito obrigado. Estou feliz pelo sucesso do álbum, obtive 66º lugar na lista de artistas japoneses do Yahoo!.

Julio: Sim, e é um excelente feedback, não?

Yoichiro: Sim, muitas pessoas têm enviado feedback positivo para nós.

Julio: Então, como tudo começou? Conte-nos um pouco da história do Area51.

Yoichiro: Comecei o Area51 em 2003, pois tive vontade de escrever minhas próprias músicas de metal, e colocar nelas os meus ideais. Então gravei uma demo com um vocalista (que não foi a Kate), e distribuímos na internet. Ken (baterista / deixou a banda há algumas semanas) interessou-se em nossa demo e então juntou-se à banda. Após isto, então, pudemos dar início à banda, de fato. Mas na época, nosso vocalista não atendia nossas exigências, então fui à procura de um vocalista melhor. Testamos por volta de 100 vocalistas até chegarmos a Kate. Então gravamos uma nova demo e finalmente lançamos o primeiro CD.

Julio: Agora que a banda atingiu notoriedade pelo mundo, como vocês (a banda) lida com isto? É algo que vocês esperavam?

 

Yoichiro: Não esperávamos isto, pois nossas letras são todas em japonês. Embora eu busque sempre o aprimoramento da banda, estou muito feliz com a reação dos fãs. Pensei que seria difícil para estrangeiros compreender minha música escrita em japonês.

Julio: Perguntei isto porque a cultura japonesa, em geral, musicalmente falando também, está em fortalecimento ao redor do mundo, especialmente no Brasil, onde divide a atenção dos jovens entre a cultura pop americana e européia. Como você vê isso?

Yoichiro: Sim, é algo que sinto bastante. Percebo que existem agora muitas pessoas interessadas na cultura japonesa, na sua música. Talvez eu sinta mais por causa do progresso da internet, pois agora temos fácil acesso a informações e à cultura japonesa.

Julio: É verdade. A cultura japonesa está se tornando tão forte que mesmo bandas que não são compostas por japoneses estão cantando em japonês, assim como a Gaijin Sentai, que estará contando com uma parceria com Eizo Sakamoto, do Anthem. Como você vê esse tipo de repercussão?

 



Yoichiro Ishino

Kate Cain

Takechi Ochi

Zinn

You

Yoichiro: Muitas bandas japonesas não fizeram sucesso cantando em inglês até agora. Acho que esta é a melhor maneira de se apegar a canções escritas em japonês. Consigo expressar o sentimento japonês escrevendo em japonês apenas. Então, penso ser realmente maravilhoso que a Gaijin Sentai tenham aceitado o desafio de escrever canções em japonês. E eu, como japonês, me sinto muito orgulhoso.

Julio: Você ouve bandas brasileiras de metal? Quais?

Yoichiro: Claro! Ouço Angra, Shaman, Hibria, Aquaria, Gaijin Sentai. O Angra é muito especial para nós, realmente os respeitamos.

Julio: Sim, eles foram os responsáveis por colocar definitivamente o Brasil na cena internacional de heavy metal...

Yoichiro: Sim. Angels Cry fez um tremendo sucesso por aqui. Muitas pessoas se surpreenderam com ele, pois a maioria das bandas são provenientes da Europa. Não pudemos acreditar quando soubemos que eram brasileiros.

Julio: Diga-nos um pouco sobre suas influências (artistas, bandas, cantores, músicos, etc...), tanto no âmbito pessoal quanto no da banda.

Yoichiro: Pessoalmente, Yngwie Malmsteen é minha primeira influência. O guitarrista do Impelliteri é praticamente meu professor de guitarra (risos). Aprendi muito de vê-lo tocar. Como ele estrutura os solos, como toca os ritmos, etc... E a terceira grande influência é o Stratovarius. Absorvi muitas influências de suas composições, e sonoridade. Por isto estamos masterizando nosso CD no Finnvox Studios [de propriedade de Timmo Tolki]. As influências da banda, a começar pela Kate, são de J-Pop, como V-Kei, Gackt, X-Japan, Ayumi Hamasaki, Gwen Stefani (No Doubt).

Julio: Podemos perceber a mistura da influência de vocês na música do Area51, e isso é o que torna a música tão legal.

Yoichiro: Sim, as influências são importantes. Bem, Takeshi (teclados) gosta de Dream Theater, King Crimson, ELP, etc. Ele adora coisas progressivas. Nossa sessão rítmica (bateria e baixo) gostam de Jazz/Fusion e Metal, e todos nós apreciamos X-Japan. Eles são gigantes.

Julio: Eles são muito populares por aqui.

Yoichiro: Sim. Se houvesse internet há 10 anos atrás, eles provavelmente seriam ainda mais famosos, entende? Agora, 10 anos depois, o mundo conhece o X-Japan, mas naquela época era meio restrito.

Julio: Yoichiro, agora vamos para uma pergunta mais técnica. Quanto do seu tempo você gasta praticando guitarra, ensaiando, e coisas assim? Soube que você ensina guitarra em uma escola aí no Japão, certo?

Yoichiro: Sim. Eu costumava praticar de 6 a 8 horas de guitarra por dia, mas agora preciso dividir o meu tempo entre compor e promover a banda, então não há mais muito tempo para praticar. Normalmente ensaiamos durante 4, 5 ou 6 dias por mês, especialmente quando estamos para nos apresentar. Atualmente, eu sozinho costumo praticar 3 horas por dia, quando tocamos ao vivo.

Julio: Entendo. E isto com certeza contribui para a evolução da sonoridade do Area51, como claramente podemos ouvir no novo álbum. Este é um álbum bastante técnico.

Yoichiro: Sim, isto se torna natural pois ouço muita música técnica. E como gosto de ser técnico em nossas apresentações, naturalmente toco de uma maneira mais técnica.

Julio: Sou o produtor do primeiro EP da Gaijin Sentai (e do CD que está por vir), e senti um grande desafio de tentar atingir a sonoridade que imaginei para eles... Encontrei várias dificuldades já que este é meu primeiro trabalho como produtor. Diga-nos um pouco sobre o quanto foram desafiadoras as gravações do CD do Area51, tanto o Ankh quanto o Daemonicus.

Yoichiro: O Ankh foi minha primeira gravação. Foi algo novo para mim. Bem, na época senti que fiz um bom trabalho, mas continuei buscando desenvolver a parte de mixagem e sonoridade. Para o Daemonicus, tentei deixar o som com uma claridade maior e um dinamismo maior também. Especialmente o som da bateria, que progrediu. No metal, creio que seja muito importante o som da bateria soar limpo.

Julio: Sim. E a participação especial de Rob Rock em Daemonicus? É realmente uma grande participação! Como isso aconteceu?

Yoichiro: Sou um grande fã de Impelliteri. Meu segundo disco de metal foi “Answer to The Master”. É um álbum muito importante em minha vida. Então eu o contactei e enviei-lhe algumas demos nossas. Imaginei que ele negaria a minha oferta, mas surpreendentemente ele me respondeu “estou impressionado com sua música e as gravações, quero ajudá-lo!”. E ele também se interessou pelo conceito. A canção na qual ele participou tem 16 minutos, dividida em várias seções. Ele e Kate dividem o vocal nela. Foi para mim um grande desafio, musicalmente, escrever uma música para 16 minutos. Eu quis ter uma história em minha música, mesmo sendo longa assim. Escrevê-la foi realmente um grande e árduo trabalho. E Rob colocou muitas idéias próprias nas melodias de voz.

Julio: Uma última pergunta que surgiu de última hora. Fale-nos sobre aquela foto exótica sua que está fixada na Galeria do Rock em São Paulo!

Yoichiro: O que?!?! O que aconteceu?! O Nordan(Gaijin Sentai) me falou a respeito!

Julio: (risos) É apenas uma brincadeira!

Yoichiro: Oh meu Deus! Vou matar vocês dois! (risos)

Julio: Pois bem, passado este momento deveras pitoresco, mande uma mensagem a todos os leitores do site Litoral Loud!

Yoichiro: Muito obrigado, Julio, adorei esta entrevista. Um grande abraço a todos os leitores do Litoral Loud!

Julio: Antes de finalizar, cite os oito melhores álbuns em sua opinião.

Yoichiro Ishino:

01  Yngwie Malmsteen - Odissey

02 IMPELLITTERI - Answer to the Master

03 Stratovarius - Dreamspace

04 Vitalij Kuprij - High Definition

05 Symphony X - The Divine Wings of Tragedy

06 Angra - Rebirth

07 Elegy - Lost

08 Brazen Abbott - Eye of the storm

Site:
http://www.area51-web.com/

 

 

 

 

Contato:
juliocesaromeo@gmail.com

 

 

 


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