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Entrevista
A SHADOWSIDE vem a cada dia que passa, se destacando na Cena Mundial, após assinarem com a norte-americana Chavis Records, relançando o ótimo Theatre of Shadows no mercado internacional, a banda realizou uma bem sucedida tour nos EUA, na qual aproveitaram para as gravações do novo album com lançamento mundial previsto para Junho deste ano. A carismática vocalista Dani Nolden contou a reporter Ana Soares, os detalhes e revela os planos futuros da Banda. Acompanhem. Por Ana Soares Ana Soares: Dani, primeiramente, agradeço a oportunidade de novamente trocar essa idéia com você sobre a Shadowside, (confira entrevista anterior em www.rockspot.com.br). Para começar, fale sobre a banda e o estilo de som que vocês fazem. Dani Nolden: Eu que agradeço, é um prazer! Bem, não existe descrição melhor para a Shadowside que algo que me disseram há alguns dias. Nós batemos primeiro e perguntamos depois. (risos) Somos nada mais que Heavy Metal feito para ser pesado e ser tocado ao vivo. Gostamos da energia, da intensidade e não tentamos ser o que não somos. Nos amem ou nos odeiem (risos).
Ana: Apesar de estar há apenas 7 anos na estrada, a Shadowside já fez apresentações ao lado de grandes nomes do metal. Conte um pouco sobre essas experiências. Dani Nolden: Nós temos uma carreira relativamente curta, como você disse, especialmente se tirarmos os dois anos que ficamos presos com os problemas burocráticos da nossa primeira gravadora, a Frontline Rock. Foi um tempo perdido enorme que se iniciou logo após a apresentação com o Nightwish, infelizmente. Tocar com essas grandes bandas é uma honra para nós, claro. É ótimo poder dividir o palco com bandas já estabelecidas há tanto tempo, especialmente quando temos a oportunidade de passar algum tempo simplesmente jogando conversa fora, como foi o caso com o Helloween. Mas nós sempre aprendemos alguma coisa com todas as bandas que tocamos, não importa se são influentes ou não. Nada faz uma banda crescer mais que dividir experiências com um companheiro de profissão.
Ana: O reconhecimento por parte da mídia, podemos dizer que veio há 2 anos. Como isso se refletiu nos trabalhos seguintes? Dani Nolden: Em relação a como vemos a banda, não houve reflexo. Um músico não pode se guiar pelo que a mídia fala, porque o mercado é extremamente volúvel, seus fãs fiéis não. Algumas pessoas comentam que a pressão agora é maior para um bom disco, já que o Theatre of Shadows foi tão elogiado, mas eu acho que é exatamente o contrário, se o disco não tivesse sido bem sucedido, nós estaríamos em uma posição frágil, precisando urgentemente de um material sólido para permanecer no mercado. Claro que temos a responsabilidade de elevar o nível agora, mas é muito melhor trabalhar apenas precisando evoluir o que você já construiu que estar em desespero, repensando toda a carreira.
Ana: Foi nesse período que a banda recebeu vários prêmios e foi aclamada pela crítica. Mas a fase de afirmação veio no ano seguinte. Conte-nos sobre o que aconteceu nesse período de 2006 a 2007. Dani Nolden: 2006 foi excelente para nós, tivemos a turnê com o Helloween, o Theatre foi muito bem recebido, tivemos muita atenção de rádios do mundo todo, então foi muito proveitoso para nós. O trabalho foi coroado com prêmios de melhor disco, melhor show, revelação do ano, melhor voz, nós ficamos muito satisfeitos com isso e agradecidos por ter o trabalho reconhecido depois de tantos problemas durante a gravação. Começamos então a preparar o novo disco em 2007, quando a demanda pelo novo material já estava ficando grande, mas o mercado norte-americano se abriu repentinamente para nós no segundo semestre de 2007. Através do MySpace, já notávamos que estávamos conquistando uma excelente base de fãs, mas de uma hora pra outra a indústria de lá começou a prestar atenção em nós Ana: Vocês participaram de uma premiação gringa chamado "Air Play", conte sobre esse evento. Dani Nolden: Isso foi uma competição promovida pelo site AirPlay Direct. As regras eram simples: a melhor música vence. Mais de 1.000 bandas de todo mundo se inscreveram e mais tarde eu soube, através do organizador, que algumas majors inscreveram suas bandas, infelizmente ele não quis me falar quem eram. Como prêmio, nós recebemos uma séria de campanhas de promoção nos Estados Unidos e Europa, além do convite para tocar no Indianapolis Metal Fest. Isso foi maravilhoso para a carreira da banda e não imaginávamos que seríamos os vencedores, pensamos que uma banda americana venceria pela questão da distância. Você pode imaginar nossa reação quando recebemos o e-mail dizendo "Sabem aquele concurso? Vocês venceram!" (risos) Ana: E o show em Indianapolis (EUA)? Dani Nolden: Foi uma grande surpresa pra nós e o maior responsável por nossa decisão em arriscar uma turnê como banda principal pelos Estados Unidos. Quando chegamos ao local do show, a casa estava vazia, apenas 10-15 pessoas estavam presentes assistindo aos grupos programados para tocar antes de nós. Ficamos decepcionados, imaginando que tínhamos viajado tantas horas para tocar para o menor público de nossas carreiras. Então conversamos e pensamos que não importaria quantas pessoas estivessem presentes, daríamos nosso melhor afinal, se uma pessoa perdeu tempo e dinheiro para ver você tocando, ela merece seu melhor. Porém com mais ou menos 5 minutos faltando para subirmos no palco, notamos a casa enchendo e no momento do nosso show, o lugar estava lotado. Claro que não reclamamos, mas não entendemos nada (risos). O público foi incrível, vibrante do começo ao fim e foi uma das melhores apresentações que tivemos. Depois conversando e assistindo aos outros shows, nos foi dito por muitos fãs que os horários estavam fixos nas portas e que a maioria estava lá para ver a nós e aos headliners. Isso nos fez perceber que valia a pena dar uma olhada mais a fundo na América do Norte. Por muito tempo falaram que americanos não gostam de Heavy Metal, mas isso é coisa da grande mídia. Os fãs de metal por lá estão mais vivos e fiéis do que nunca.
Ana: E as demais apresentações nos EUA e a repercussão desses shows como foram? Dani Nolden: Melhor, impossível! Nós fizemos essa pequena turnê como um teste, para descobrir qual era realmente nossa situação nos EUA. As pessoas elogiam muito no MySpace e por e-mail, pedem shows, as vendas estão indo bem, mas você apenas sabe que alguém é realmente seu fã quando ele está disposto a sair de casa e ir te ver, especialmente quando ele tem que ir até uma outra cidade para isso. Vimos pessoas cantando cada palavra das músicas do Theatre of Shadows e recebendo maravilhosamente bem as composições do novo disco, que ainda nem foi lançado. Ana: Houve um adiamento em algumas datas nos EUA devido ao inverno rigoroso, quando vocês voltam? Dani Nolden: Voltamos em Junho, faremos uma turnê extensa dessa vez. Iniciamos como uma das atrações principais do Flight of the Valkyries Fest, em 28 de Junho, em St. Paul, Minnesota, passamos pelo Rocklahoma em Julho, que é considerado o maior festival de Rock n' Roll do Mundo. No ano passado, o festival levou mais de 100.000 pessoas e para este ano, ingressos já foram vendidos em todos os 50 estados americanos, todas as províncias canadeneses e mais de 30 países em todo o mundo então vai ser um show e tanto. Terminamos a turnê na segunda edição do Indianapolis Metal Fest, dessa vez no palco principal, que acontece em 26 de Setembro. Durante esse tempo estaremos percorrendo o país em uma média de 3 shows por semana. Vai ser cansativo, mas estamos muito animados! Ana: Como andam os trabalhos paralelos da Dani Nolden com o CORODE? Fale um pouco sobre esse projeto. Dani Nolden: Sempre me diverti muito no Corode, mas infelizmente não tenho tempo para continuar com o projeto no momento. Toda minha atenção está completamente focada na Shadowside.
Ana: Podemos aguardar um novo CD então para esse ano ainda? Dani Nolden: Sem dúvidas! Os planos são para um lançamento mundial em Junho deste ano, coincidindo com a nova turnê. Aqui no Brasil, sairá pela LCM com distribuição da EMI e talvez nas bancas também, acompanhado de uma revista. No resto do mundo, continuaremos trabalhando com a Chavis Records que têm feito um trabalho impecável até agora.
Ana: Como estão as composições/gravações? Dani Nolden: Pesadas, nervosas e ao mesmo tempo, muito melódicas! As gravações já estão terminadas, nossos planos eram para um lançamento no início deste ano, mas nossa gravadora americana pediu para que esperássemos um pouco, já que o Theatre foi relançado recentemente, eles não queriam um disco atrapalhando o outro. As músicas são a evolução do Theatre of Shadows e uma mudança na medida certa. Esse disco vai surpreender muita gente. Em alguns momentos, pensei que deveria estar escrevendo algo mais similar ao Theatre que acabamos fazendo, mas o material antigo sempre estará lá para ser curtido. Uma banda não pode ficar fazendo sempre a mesma coisa ou acaba se tornando uma cópia de si mesma. Para o novo trabalho, nós excluímos tudo que não nos representava, mas mantivemos tudo que as pessoas gostaram no anterior, de forma mais madura. Continuamos com a mesma energia, melodias marcantes, mas com ainda mais personalidade. Levei minha voz aos pontos mais extremos, dos dois lados. Em algumas partes, cantei de forma ainda mais agressiva que as canções do Theatre, porém algumas partes são muito mais melódicas e em uma balada, cantei de uma forma mais calma para satisfazer a curiosidade das pessoas em relação a como minha voz soaria em uma música leve. Foi divertido e um grande desafio utilizar tudo que minha voz tem a oferecer no momento. As guitarras estão muito pesadas e os solos inspiradíssimos, a banda está sólida. Estamos com uma formação (Raphael Mattos ma guitarra, Fernando Peto no baixo e Fabio Buitvidas na bateria) muito forte no momento, acredito que todos vão notar o salto de qualidade que demos. O Theatre of Shadows, em minha opinião, já é um ótimo disco, mas nem se compara com o que temos nas mãos agora.
Ana: Qual o tema das composições, o que tem inspirado a banda? Dani Nolden: Todas as músicas foram inspiradas na vida real, em coisas que aconteceram comigo, ou que vi acontecendo na vida de pessoas próximas a mim ou que são noticiadas na TV ou jornais, como a Nation Hollow Mind, que fala sobre o assassinato do menino João Hélio e como as pessoas se esqueceram rapidamente do acontecido. Poucos dias após a morte dele, quase todo o Brasil estava comemorando o Carnaval. Existem certas situações que exigem o envolvimento de uma nação inteira. Não era hora de festa, era hora de luto. Era hora de pensar em quantas pessoas são assassinadas todos os dias. Claro que isso deixa um País que já está cheio de problemas ainda mais deprimido, mas os problemas precisam ser resolvidos. Precisamos de um escape, sim, dos problemas do dia-a-dia, dos sofrimentos, das preocupações. O que não podemos fazer é ficar alienados e fingir que está tudo bem. Também escrevi sobre sentimentos, sobre relacionamentos abusivos, não necessariamente românticos, mas situações em que uma pessoa fica completamente sem controle. Mas também temos músicas com mensagens positivas e de esperança. São situações que todos passaram ao menos uma vez na vida. Ana: O álbum anterior foi mixado por ninguém menos que o mesmo cara que já trabalhou em um DVD de Paul McCartney, Santiago Ferraz. Uma história interessante a ser contada para os novos fãs da bandas, por favor, fale sobre esse trabalho. Dani Nolden: Nós temos uma dívida de gratidão enorme com ele. Sem o trabalho do Santiago, provavelmente não teríamos lançado o Theatre of Shadows, porque o disco estava pronto, mas simplesmente não tínhamos mais recursos financeiros, então não sabíamos quando ele poderia ser mixado. Santiago já estava pedindo para mixar desde o início do trabalho, mas sempre pensamos que ele seria caro demais. No final da gravação, ele se ofereceu de novo e comentamos que não teríamos como pagá-lo e ele disse que após mixar o DVD do Paul McCartney, ele prometeu a si mesmo que nunca mais faria uma mixagem, já que considerava aquilo como o ponto máximo na carreira dele e nada teria como superar esse trabalho, mas que mudou de idéia quando nos ouviu. Ele gostou tanto da banda que não apenas se ofereceu para mixar o disco, como o fez de graça. Hoje ele é um grande amigo e continuaremos a trabalhar juntos por muito tempo, de uma forma ou de outra. Gravamos o novo álbum no estúdio dele de novo e Santiago provavelmente será o diretor do nosso próximo vídeo.
Ana: E para o próximo como está a equipe de produção? Dani Nolden: Como gostamos sempre de variar e escutar idéias de quem ainda não sabe exatamente o que esperar de nós como músicos, nós trabalhamos com renomado produtor norte- americano Dave Schiffman dessa vez, na produção e mixagem. Ele trabalhou com várias bandas experientes, como Audioslave, System of a Down, Avenged Sevenfold, além de vários artistas fora do Rock, então ele já viu e ouviu de tudo, tem a mente extremamente aberta e nos permitiu experimentar com coisas que não são típicas do Heavy Metal, ao mesmo tempo que usamos elementos que são clássicos no estilo. Ele é rígido na medida certa, sempre exige o máximo de cada um. Acredito que quando você trabalha com quem você já trabalhou antes, a banda tende a ficar repetitiva e não cresce, já que todos se acomodam e acreditam que os limites de um grupo em um disco continuarão os mesmos no próximo. Como um novo produtor tem que testar os músicos desde o início, já que não os conhece no estúdio, surpresas sempre aparecem e é assim que uma banda se supera. Ana: E shows aqui no Brasil, teremos algum em breve? Dani Nolden: Temos planos para uma turnê no segundo semestre, assim que voltarmos dos Estados Unidos. Por enquanto não temos detalhes concretos, mas vamos dar mais informações sobre isso em breve. Como uma despedida e um agradecimento, faremos um show beneficente em Santos, sem cobrança de ingressos, com a participação de alguns amigos, um deles o Edu Falaschi (Angra, Almah), que acabou de confirmar comigo por e-mail. Será no dia 24 de Maio, faremos uma festa e tanto! Ana: Dani já relatou em outras entrevistas ter ganho um prêmio nos EUA de "melhor cantor" (Sim, pensaram que era vocal masculino!!!). Fale sobre esse equivocado episódio e se houve alguma outra cena do tipo recentemente nos shows nos EUA. Dani Nolden: (risos) Isso continua acontecendo! Na ocasião, eu comentava sobre um site que permite que a música seja julgada antes de qualquer coisa, quem está ouvindo não tem como saber quem é a banda antes de dar a opinião sobre o que está ouvindo. Então, durante a audição, ele tem a oportunidade de votar nos músicos daquela banda como o melhor no estilo, então ele pode selecionar melhor vocal masculino, melhor vocal feminino, melhor guitarra, melhor melodia, entre várias outras categorias. Como não sabem que é uma mulher cantando, acabei recebendo uma grande quantidade de votos em "melhor vocal masculino"...(risos) E isso continua acontecendo em rádios, várias vezes em entrevista para rádios americanas, o apresentador tocava uma música da banda, dizia que era Shadowside e falava comigo... Então durante o programa, as pessoas escreviam dizendo "não acredito que é uma mulher!!! Como ela tem essa voz doce falando??" (risos) Até mesmo o Andi Deris, vocalista do Helloween, disse que não acreditava que aquela voz brutal era minha. É divertido ver esse tipo de reação, é muito engraçado. Ana: A banda assinou recentemente com uma gravadora nos EUA para distribuição do "Theatre of Shadows" no exterior. A repercussão já tem gerado retorno para a banda? Quais as expectativas pra 2008? Dani Nolden: Estamos muito ansiosos para cair na estrada. Como falei antes tocaremos em três grandes festivais este ano, tudo graças à repercussão que o disco e a primeira turnê geraram. Parece que tocaremos em mais dois festivais além desses, mas ainda não tenho certeza. Acredito que ficaremos ocupados até no mínimo o final do ano com a promoção do disco e shows, mal teremos tempo para pensar (risos). Como tudo que queremos é estar na estrada e tocar, 2008 não tem como ficar melhor. Ana: Esperamos ouvir as novas músicas da Shadowside em breve. Em particular, ADOREI o cover de "Rainbow in the Dark", do DIO que a banda fez e está na reprensagem do "Theatre of Shadows" que saiu lá fora pela gravadora Chavis Records. Desejamos muito sucesso ao grupo e abrimos espaço para considerações finais. Dani Nolden: Eu agradeço pelo espaço mais uma vez e espero ver a todos em breve na estrada! Fico feliz que estão gostando do trabalho, muito mais está chegando. Mas cuidado... o novo disco pode causar dores no pescoço (risos). Ana: Como de praxe, Dani, cite os 8 melhores albuns de Rock/Metal na sua opinião. Dani Nolden: Sem uma ordem de preferência especial, estes são os discos que mais gosto: Slave to the Grind - Skid Row Bat Out of Hell - Meat Loaf Double Platinum - Kiss Painkiller - Judas Priest One Size Fits All - Pink Cream 69 Burn - Deep Purple Better than Raw - Helloween
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